terça-feira, 15 de março de 2011

São Paulo, arte, moda, e mudanças na loja



































Sou louca por São Paulo e mensalmente, quando visito esta metrópole procuro aproveitar ao máximo, pois não entendo pessoas que não vivem intensamente.  Como diria o poeta:"A vida é uma só". Desta vez acabei caindo no MASP, onde está acontecendo uma mostra de esculturas chamada Obsessões da Forma. Já me meti em muita "roubada" pelo mundo à fora mas esta, em especial, me marcou positivamente. Por lá eu vi formas abstratas intrigantes, figuras em diversas cores e formas, nus artísticos de tirar o fôlego, casais materializados em situações prováveis e improváveis, animais vultosos, bustos imponentes, guerreiros lutando contra guerras e contradições... Enfim, fiquei emocionada! A estupenda bailarina de Degas, Rodin, Renoir, Breccheret , mas senti falta de Claudel – acho que  que não tem nenhuma Camille Claudel no MASP. As esculturas estavam a poucos centímetros de minhas mãos e juro, poucas vezes me senti tão imensamente tentada a tocar aquilo que não deve ser tocado.

Aliás, segue uma dica: terça-feira é dia de visitação de escolas no MASP e me parece que na Pinacoteca também. "Fujam!”. Pimpolhos e arte geralmente não é uma boa combinação quando estamos em busca de ares tranqüilos e contemplativos. Os seguranças me confidenciaram que estava sendo um calvário contê-las.
Bom, sou grata por ter tido a oportunidade de conhecer a arte, história e a cultura de vários países e a diversidade sempre me emociona. Dei-me uns minutos de "vista panorâmica" pra tentar desvendar de onde vinham e de que épocas eram àquelas peças e, acreditem - fez um bem enorme "chutar" os países e épocas e acertar alguns deles. O que ratifica minha opinião de que nossa forma de nos apresentar socialmente é o que temos dentro da alma, o que me lembra à velha história do inconsciente coletivo, e confirmar silenciosamente que o bom e velho Jung sabe das coisas.


















Mas voltemos a bailarina de Degas. Por alguns instantes tive a impressão que ela estava viva e que sairia dançando para surpresa de todos os presentes. E lá também estavam o visão do nu de Arabesque, o busto ( auto-retrato) em terracota do Brecheret que parecia ainda mais pulsante (aí foi difícil ter "catiguria" e não colocar as patinhas). Toquei. E fui tocada.





















O casal de poloneses me pareceu desolado, como um pingente das minorias, hostilizadas pela visão nazista. São dois bronzes que parecem "carregar nas cotas o peso do mundo.
O italiano repassa todo orgulho de representar o seu país em uma guerra mundial - forte ágil e perigosamente patriota. As estátuas chinesas de mais de mil anos. Rodin, com seu estilo over batendo no limite do over. Vá lá você também , não sou crítica de arte mas vou pensar sempre que as obras mais expressivas vieram de Camille.

Finalizando, há muitos anos decidi que a vida oferece oportunidades mil para quem quer vivê-la e que no mundo fashion é preciso estar antenado a tudo. Quem não busca informação vai ficar sempre na mesmice mostrada pela TV aberta e revistas de fofocas, e vá lá, o Brasil é um país do tamanho de um continente, tantas miscigenações, tantas culturas diferentes e um mundo peculiar de contradições. E o planeta inteiro nunca foi tão pequeno.

O que está na moda em Praga não necessariamente vai "pegar" em qualquer outra cidade do mundo.  Nunca consegui entender porque às vezes a moda demora tanto pra chegar aqui. Poderia citar mil exemplos de roupas que ficam pipocando meses, até mesmo anos na Santa Inconstância e de repente: BOOOMMMMM! É só o que elas querem e... Putz,  onde encontrar onde anos depois?


Lembra-me Porto Alegre, quando morei por lá. Todas as meninas eram bronzeadas o ano inteiro elas usavam bolsas Victor Hugo, calças Fórum e Zoom e sapato para-raio. Toda a mulherada parece que ia e voltava de gramado, Disney, Punta, Bariloche, Miami (e fazendo  questão de contar umas 1000 vezes ). E haja chapinhas no cabelo, claro que loiros! E, pesadelos, dos pesadelos das contestadoras, eu estudava Psicologia na PUC. Eu era castanha, crespa,com bolsa de crochet (sempre tendi a riponguice) e  não trocando lugar nenhum pela Bahia. Que fique bem claro - ainda não troco!


Aproveito estas viagens para reciclagem e conhecer gente nova. Vocês já experimentaram ir a um boteco tradicional sem o intuito de ir embora montada em um cavalo branco e acordar com uma conta conjunta na mesinha de cabeceira?


E é assim que vem a inspiração, a Inconstância, a vontade de mudar sempre, a ojeriza à rotina,o repúdio a entediante normalidade.  Procuro roupas e acessórios inovadores onde até o diabo duvida, mas vale a pena: cliente Santa Inconstância é reconhecida a léguas de distância.

E com o tempo se aprende o "estilo" de cada uma. Fiquei muitos anos trabalhado com moda maior e gestante, dois nichos fascinantes pelo desafio que representam, pois passando pela  nossa loja  - toda mulher ganha a exuberância! Questão de honra não "embagulhar" nossas clientes, afinal se ela estiver (momentaneamente feia, digamos assim), a principal culpada é a compradora, no início dessa cadeia de degradação. No caso eu já poderia ter cortado este ciclo abastecendo a loja com coisas legais e bombardeando as funcionárias de informação.

A partir de quinta (17 de março), depois de muito ouvir os apelos de amigas e clientes, posso anunciar que orgulhosamente estamos voltando operar  na numeração à partir do 36. Em resumo: nossa moda irá dos tamanhos 36 ao 60, ainda com peças para gestantes, linha pré e pós- parto. A Santa Inconstância espera por você.

5 comentários:

  1. Betina, Betina, Betina...

    Lendo tuas palavras, primeiramente, uma confissão: eu, ao visitar o MASP em meados de 2009 durante exposição de Rodin não me contive em não tocar o que as mãos do gênio lapidaram... passei as mãos por várias das obras, sem culpa, sem vergonha... com prazer, na verdade. E faria de novo...

    Seguindo, quero colocar que quanto ao teu jeito riponga de ser, penso ser uma característica marcante e, contrariamente ao que tu escrevestes em relação ao período em que morastes em POA, não acho que foi a preguiça que te toliu na "adaptação", mas a própria genuinidade.

    Sim, genuinidade, palavra advinda de genuíno(a).
    Talvez a melhor palavra para te caracterizar: genuína. A (santa) inconstância tem, pelo próprio significado, um caráter de alternância que, portanto, apesar de te nomear, não te significa de forma constante. A genuinidade, sim, pois essa permanece em todas as tuas alternâncias.
    Enfim, encontrei a constância que existe em ti.

    Destarte, digo que, tu bem sabes, de riponga nada tenho e tampouco nutro sonhos pela Bahia... Contudo, mesmo com meu jeito de ser, respeito e admiro as diferenças tendo, muito próximo a mim, amigas (de verdade) que possuem estilos completamente diversos. Penso fatualmente que são essas coisas que fazem as pessoas deveras interessantes (absoluto inverso de tantas meninas e meninos "fabricados em série" que vemos por aí...), bem como foi uma das minhas motivações a escolher uma profissão a seguir. Eu gosto de gente!!

    Finalizando, diria que mais do que formas, vultos e cores diversos, devemos procurar em nós mesmos o que nos torna genuínos aos olhos do mundo. Pode ser uma gargalhada exagerada, pode ser o jeito ranzinza, pode ser o jeitinho meigo e nerd de ser, pode ser a riponguice, pode ser qualquer coisa, desde que seja único, desde que seja genuíno, desde que seja seu. Quando isso for claro, vestir-se toma o significado simples de mostrar ao mundo quem se é. Alto, baixo, gordo ou magro, não importa. Desde que seja genuíno. Desde que seja autêntico. Desde que se saiba quem se é. Roupa é isso, moda é isso. Mesmo os aversos à moda acabam fazendo uso dela para transmitir ao mundo suas opiniões.

    Portanto, e finalizando, parabéns pela iniciativa em ampliar a oferta de tamanhos em tua loja. Isso demonstra o respeito à diversidade de tamanhos, de pensamentos, de ser. Isso significa respeitar a genuinidade de cada um.

    Parabéns pela escrita. Adorei. Deves escrever mais.

    Beijo grande, tua amiga meio perua (mas moderninha),
    Aline

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  2. Adorei, perfeito, original, é a Santa Inconstância e você.
    Roselei.

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  3. Quem mora longe tipo eu baba e aplaude! Bjo querida!

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